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Editorial – O Exemplo Australiano

Há cerca de 15 dias recebemos a visita de uma numerosa delegação australiana em que participaram membros da comunidade privada e do governo. Tivemos oportunidade de ouvir um apaixonado depoimento a respeito do papel do turfe enquanto mola propulsora do entretenimento, do turismo e como fonte geradora de empregos na cadeia de realização de seus eventos. O caso Austrália é emblemático e nos serve como aprendizado.

Quando falam da Melbourne Cup, cujo engajamento popular tem repercussão semelhante ao impacto do nosso carnaval, deve-se entender de que se trata de uma semana de festas que culmina com a realização de um grande páreo, com duração de 4 minutos, em que são distribuídos seis milhões de dólares aos cavalos vencedores.

Agora o Festival de Sidney também caminha para ter a mesma grandeza de espetáculo, conforme anúncio do Ministro George Souris que é encarregado pelo turismo, grandes eventos, hospitalidade e corridas. Na oportunidade ele afirmou: "Este novo teatro do cavalo será um poderoso condutor econômico que beneficiará sobremaneira a região".

Constatamos mais um exemplo de como a integração governo-setor privado é capaz de promover substanciais ganhos para a sociedade, provendo lazer de maneira saudável para o grande público. Enfim, é o Governo que, reconhecendo a importância do turfe, atua direta e saudavelmente para fortalecê-lo pensando nas novas gerações.

Eric Winton membro da delegação que aqui esteve, forneceu-nos ricas informações sobre o novo contrato milionário elaborado para total rejuvenescimento do Real Randwick Racecourse – Sidney. Cabe frisar, mais uma vez, que tudo foi anunciado pelo Ministro do Turismo. É claro que a Austrália é uma economia de mercado e as grandes empresas são patrocinadoras dos eventos, agregando suas marcas à força da imagem do turfe. Trata-se de um grande exemplo de cooperação entre atores públicos e privados em prol do entretenimento. Algo que seria muito importante aqui no Brasil, neste momento de plena recuperação da nossa economia.

A construtora responsável pelo projeto do Real Randwick Racecourse (Hipódromo de Sidney), escolhida através de concorrência, é a Multiplex Brookefield, empresa que construiu o novo estádio de Wembley, entre outros.

O projeto está orçado em US$ 150 milhões e será financiado pela Tabcorp, empresa que opera jogos virtuais em diferentes pontos da Austrália. Sua concepção é bastante agressiva, pois vai demolir o atual hipódromo, construindo algo totalmente novo e de design sofisticado.

Entre as funções para o rejuvenescimento do hipódromo, destacam-se:

- capacidade para hospedar multieventos;

- camarotes corporativos com serviços de restaurantes com vistas para a pista de corridas;

- capacidade para alojar 1.000 participantes em eventos corporativos pequenos ou conferências (clube de negócios);

- hotel com 170 apartamentos para facilitar realização de eventos;

- arena externa para ocupação de 4.500 convidados.

O projeto prevê total reformulação do hipódromo que será transformado em estado-da-arte da era moderna. Além da recuperação das arquibancadas, que terão a capacidade duplicada, será construída uma nova unidade especial para os proprietários e treinadores.

Um "novo teatro para os cavalos" (paddock) permitirá que 4.500 pessoas admirem os cavalos antes e depois das corridas e um túnel que proverá o acesso dos animais à pista. Além disso, serão construídas novas cocheiras, compostas por 6 edifícios de 2 andares, com capacidade de acomodação de até 100 cavalos cada um.

A colaboração entre todos os envolvidos no circuito turfístico foi fundamental. Celebrou-se um acordo com os outros hipódromos da região: Warwick Farm, Rosehill e Canterbury, que receberão pelo menos 30 dos 40 dias de corridas programados para a fase em que perdurarem as obras em Randwick. Depois da conclusão da obra no Real Randwick, está prevista a completa venda do Hipódromo de Warwick Farm para fins imobiliários, o que garantirá novos recursos que totalizam US$ 285 milhões para a Associação de Turfe Australiana.

O exemplo Australiano não é novidade e guarda semelhança com outros casos de reestruturação do Turfe pelo mundo em que o Governo sempre se faz presente apoiando o esporte de maior tradição mundial.

O Brasil precisa seguir esse caminho para benefício da sociedade e, em particular, para atingir o ideal de transformar São Paulo em protagonista global no que concerne aos grandes eventos.

Eduardo da Rocha Azevedo

Presidente JCSP

(extraído do Site Oficial do Jockey Club de São Paulo – www.jockeysp.com.br)

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